• Ricardo SAMUEL Goldstein

Africa e Brasil, mais próximos do que gostaríamos de admitir.


Lendo o recém lançado livro "Thank You for Being Late", do brilhante Thomas Friedman do New York Times (que vai merecer um post, de tão bom que é), me deparei com uma citação do filme "Captain Phillips" - a história do sequestro por piratas somalis, em 2009, do navio americano Maersk Alabama - que combinada com a divulgação do índice de felicidade na mídia nos últimos dias - onde países africanos tem os piores índices de felicidade do ranking, por motivos óbvios - me inspiraram a fazer um paralelo afro-brasileiro.

Independente da polêmica sobre o capitão Phillips ter sido ou não o verdadeiro herói - de acordo com depoimentos da tripulação ele foi só o verdadeiro culpado, por ter ignorado todos os alertas e sinais que os teriam desviado da tragédia - um trecho do filme de 2013, estrelado por Tom Hanks, é simbólico do que aflige aquelas terras. Na cena, o capitão pergunta ao pirata: "Deve haver alguma coisa pra fazer além de ser pescador ou sequestrar gente", ao que o pirata responde: "Talvez na América Irlandês, talvez na América."

Captain Phillips: There's got to be something other than being a fisherman or kidnapping people. Muse: Maybe in America, Irish, maybe in America.

Em escala local, me pergunto o quão longe estamos da realidade africana, quando a gente vê uma massa de desesperançosos Brasil afora, hoje não só na camada mais pobre da população, mas mesmo na mais educada e informada, sem saber mais o que é verdade e o que é mentira, sem ter mais em quem confiar, sem saber quem está sendo caluniado mesmo ou grita "calúnia" só para amortecer a culpa, só pra ganhar tempo, só pra enganar mais a todos nós.

A única certeza que temos é que a confusão nunca foi tão grande, é geral, certamente alguns inocentes estão entrando de gaiatos mas a grande maioria é de bandidos mesmo, e, ninguém em sã consciência e que tenha o mínimo de responsabilidade pode mais garantir que qualquer intenção, declaração ou movimento seja verdadeiramente isento, já que o corporativismo em todas as esferas reina e só se pensa em proteger feudos a qualquer custo, desgrace a quem desgraçar.

Será que podemos mesmo criticar quem se revolta com reformas que parecem ser tão úteis, necessárias e imprescindíveis, quando cortes e sacrifícios para as faixas mais sofridas da população são propostos sem que sequer se mencione a redução dos super salários, benefícios, aposentadorias especiais e relâmpago, verbas, mordomias e foros privilegiados que estupram a decência e encontram brechas, defesas e justificativas para serem eternizadas, varando os tetos legais e desafiando a moralidade, chamando a todos que são decentes de palhaços.

Não seria mais fácil conseguir o apoio das massas invertendo a ordem e cortando com a mesma violência, e também na marra, os exageros e "esdruxulisses" kafkianas, nos três poderes e em todas as esferas do governo, e ai sim, mostrando que o sacrifício é de todos mesmo, avançar com as mudanças que tenho certeza são imprescindíveis para sairmos do buraco?

Tá TUDO errado, estamos mais próximos da Africa do que a gente imagina e seguindo essa trilha, vai chegar a hora de que não vai restar a nossa sacrificada população, como não resta aos piratas somalis, qualquer alternativa a barbárie. Muita gente boa acha que esse final está próximo e já abandonou ou está próximo de abandonar o navio.

Não confio nesse índice de felicidade que nos coloca em posição privilegiada, ou essa pesquisa foi comprada por alguma empreiteira, ou nós somos mesmo uns bobalhões...


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